Terra de diatomáceas no
controle
de
pragas de milho armazenado
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Embrapa
Validação do pó inerte à base de terra de diatomáceas no controle de pragas de milho armazenado em propriedade familiar
Introdução
Pós inertes usados para controlar
pragas de grãos armazenados são substâncias provenientes de minerais extraídos
de rochas que, moídos e misturados a grãos, causam morte de insetos por
dessecação (Ebeling, 1971; Loschiavo, 1988; Shawir et al., 1988; Aldryhim,
1990, 1993; Lorini, 1999). A terra de diatomáceas, um pó inerte
proveniente de algas diatomáceas fossilizadas, possui dióxido de sílica como
principal ingrediente. A sílica tem capacidade de desidratar os insetos,
matando-os em período variável de um a sete dias, dependendo da espécie-praga.
Trata-se de produto seguro para operador e consumidor de grãos, com ação
inseticida duradoura, pois não perde efeito ao longo do tempo. Também é usado
como aditivo alimentar em outros países, tanto para rações como para consumo
humano (Banks & Fields, 1995).
A
terra de diatomáceas mostrou-se eficiente no controle das principais pragas de
milho armazenado, em experimentos realizados no Laboratório de Entomologia da
Embrapa Trigo, com mortalidade de 100 % dos insetos adultos, na dose de 1,0
kg/tonelada de grãos (Lorini 1994, 1999).
O
modo de aplicação do produto é simples, sendo misturado, na dose de 1,0
kg/tonelada de grãos limpos e secos. Os insetos que vierem a atacar os grãos
entrarão em contato com o pó e morrerão por dessecamento. O grão tratado
pode ser consumido imediatamente, não necessitando observar período de carência
do produto. Os grãos a ser tratados devem estar secos (13 % a 14% de umidade),
para que a umidade do grão não neutralize o efeito da terra de diatomáceas (Lorini,
1999).
Este
trabalho teve como objetivo validar o uso da terra de diatomáceas para controle
de pragas no armazenamento de grãos de milho, em condições semelhantes às
usadas na propriedade familiar.
Materiais
e Métodos
O trabalho foi realizado em silo de
alvenaria de 9.000 kg de capacidade, retangular (2,5 m x 3,0 m), com
profundidade de 2,0 m, localizado no Centro de Treinamento (CETREDIA) da EPAGRI,
em Concórdia, SC. O tratamento de grãos de milho com terra de diatomáceas foi
realizado em dois períodos de armazenamento: de 13/4 a 29/9, em 1999, e de 18/5
a 29/12, em 2000. Antes do armazenamento, o silo foi varrido para eliminação
de todos os resíduos de grãos. Após, a estrutura interna da instalação
recebeu aplicação manual do pó inerte à base de terra de diatomáceas, sendo
usados os produtos comerciais Insecto, no primeiro período de armazenamento
(1999), e Keepdry, no segundo período (2000). O milho foi colhido, secado em
secador de leito fixo e tratado com pó inerte, à medida que os grãos eram
depositados no silo. A dose de pó inerte usada foi de 1,0 kg/t de grãos de
milho.
Para
verificação da presença de insetos, durante o período de armazenamento,
foram instaladas 12 armadilhas plásticas de captura de insetos no interior da
massa de grãos (Lorini, 1999), distribuídas nos quatro cantos do silo e
em três profundidades (0,10 m, 1,0 m e 2,0 m). A cada 15 dias, as armadilhas
eram retiradas, contava-se o número de insetos vivos e mortos capturados, e
recolocadas no mesmo lugar. Essas avaliações foram realizadas durante todo o
período de armazenamento, nos dois anos consecutivos.
Os
valores do número de insetos vivos e mortos foram analisados, calculando-se a média
aritmética das 12 armadilhas, e os resultados representados graficamente.
Resultados
e Discussão
O gorgulho dos cereais (Sitophilus
spp.) foi o inseto mais encontrado durante todo o período de estudo (92 %).
Também foi detectada presença de Oryzaephilus surinamensis (6 %), de Tribolium
castaneum (1 %) e de Cryptolestes ferrugineus (1%). Houve
elevada mortalidade de pragas de milho armazenado resultante da ação da terra
de diatomáceas durante todo período, evidenciando a eficácia do produto como
inseticida.
A
presença de insetos vivos detectados nas armadilhas evidenciou a contínua
infestação de pragas no silo oriundas de outros armazéns. Porém o número de
insetos mortos demonstrou ter havido controle por terra de diatomáceas.
Salienta-se que esse pó inerte não tem efeito de mortalidade imediata,
permitindo que o inseto sobreviva por alguns dias, até que a morte seja causada
por dessecação. Os insetos vivos capturados nas armadilhas estavam recobertos
com o pó inerte e apresentavam sinais evidentes do efeito da terra de diatomáceas,
o que os levaria à morte em poucos dias.
Dessa forma, pode-se indicar o uso do pó inerte à base de terra de diatomáceas como alternativa de controle de pragas de milho armazenado, em condições de armazenamento na propriedade familiar.
Fonte: www.cnpma.embrapa.br
1)
Pesquisador da Embrapa, Centro Nacional de Pesquisa de Trigo, Caixa Postal 451,
99001-970
Passo Fundo, RS. E-mail: ilorini@cnpt.embrapa.br,
manduca@cnpt.embrapa.br
2) Eng.- Agr. da EPAGRI, Rua Romano Anselmo Fontana, 339, Caixa Postal 44, 89700-000 Concórdia, SC.