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Entrevista com o Eng. Agrônomo José Augusto Maiorano da CATI
Por:
Maria Regina Chiarinelli Equipe Portal Orgânico

O Portal Orgânico entrevista José Augusto Maiorano, engenheiro agrônomo e técnico da CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral e um dos organizadores do Evento de Agricultura Orgânica: "Dia do Campo", realizado no Pólo Regional do Centro Sul - APTA, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em Piracicaba-SP

Portal Orgânico: Qual Objetivo do evento "Dia de Campo"?

José Augusto Maiorano: O objetivo do evento é primeiramente difundir as técnicas relacionadas à produção orgânica para produtores, técnicos e estudantes e aproveitar a estrutura da APTA, em parceria com outros órgãos, inclusive com a CATI como extensão, para divulgar toda tecnologia aplicada na agricultura orgânica, que hoje é vista como um modelo de produção, onde as tecnologias já existem e estão disponíveis, basta tomar conhecimento e fazer uso delas. Durante todo o dia, todos poderão conhecer práticas de compostagem, adubação verde, controle biológico, manejo de plantas espontâneas (daninhas), utilização de extratos vegetais e outras técnicas apresentadas pelos diversos pesquisadores e técnicos em agricultura orgânica que estarão em campo, monitorando e orientando todos os interessados.

Portal Orgânico:
Qual a postura da CATI frente a agricultura orgânica?

José Augusto Maiorano: A CATI, como um órgão de extensão estatal tem programas específicos, tendo também programas direcionados e de apoio a agricultura orgânica. O que ocorre é que nas linhas de trabalho, voce precisa primeiramente treinar este corpo técnico, para que eles possam ter esta sensibilidade, pois a produção orgânica não se resume simplesmente em aprendizado de técnicas, mas sim em uma conversão de pensamento e ação. Hoje a CATI tem dois programas muito fortes. Um é a questão da microbacia hidrográfica, que é um programa ambiental voltado para o produtor com objetivo de gerar renda e melhoria social, proteger o meio ambiente, além de agregar tecnologias que sejam limpas. Uma outra linha de trabalho é a agricultura familiar, onde dentro deste processo, a agricultura agroecológica é muito adequada através das técnicas que ela preconiza, quer seja pela utilização de mão de obra, bem como para a produção de alimentos para consumo e distribuição local e regional.

Portal Orgânico:
Quais ações estão sendo desenvolvidas no pólo da CATI?

José Augusto Maiorano: A CATI tem estruturas regionais, portanto as ações são desenvolvidas de acordo com a formação do técnico que está nesta região, dos produtores locais, do tipo de cultivo predominante de cada município. Porém o trabalho forte da CATI é a capacitação de técnicos, para que eles possam interagir com os produtores , não só levando conhecimento e técnicas simplesmente, mas aprendendo com eles, escutando o que tem a dizer, pois esses produtores é que vivenciam os problemas. O que temos é que auxíliá-los a resolver esses problemas em decisões conjuntas, que passam desde a produção, do tipo de cultivo mais apropriado para a região, comercialização, organização dos produtores do município, enfim, várias interfaces neste trabalho de extensão.

Portal Orgânico:
Quais as maiores dificuldades que os técnicos da CATI encontram hoje?

José Augusto Maiorano: A maior dificuldade é a mudança de pensamento e atitude. A maioria dos técnicos hoje já tem 20/30 anos profissão e não quer nem pensam em mudança, pois isso implica em reaprender, ir atrás de novos conhecimentos, interagir de uma outra forma com esses conhecimentos, mudar toda uma estrutura que já está bastante segmentada. Porém diante de uma nova situação e principalmente pela grande procura por técnicos especializados em agricultura orgânica, aos poucos eles estão indo em busca e procurando se reciclar através de cursos de capacitação, treinamentos, dependendo também de cada região, do tipo de cultivo, enfim, a maior dificuldade é esta mudança de mentalidade.

Portal Orgânico:
Em relação as políticas públicas. Voce acha que existe incentivos consistentes do governo para a agricultura orgânica?

José Augusto Maiorano: A agricultura orgânica não é mais marginal. Até 1999, quando foi publicada a Instrução Normativa no. 007, a agricultura orgânica era tratada como um sistema de produção marginal, ou seja, só as ONGs e poucas pessoas levavam esta bandeira. Hoje há uma demanda muito forte do consumidor e da sociedade por produtos que tenham segurança alimentar; existe uma preocupação ambiental e com o indivíduo que manipula produtos químicos. Desta forma o poder público veio atender este apelo social e todos os ministérios estão dando bastante atenção e apoio à produção orgânica, principalmente o Ministério do Desenvolvimento, que tem como grande foco a agricultura familiar, onde a agroecologia se insere perfeitamente nesta concepção, tendo em vista o que ela representa. O Ministério da Agricultura também tem trabalhado de forma bastante intensa, quer para a Regulamentação da Lei 10.831/03, quer em campanhas de divulgação, como do Alimento Orgânico que tivemos agora em meados de setembro, enfim, tanto o governo federal como estadual através de suas secretarias tem se empenhado bastante para atender a demanda da sociedade que está em busca daqueles preceitos que preconizamos, ou seja, de um sistema produtivo ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo.

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